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May 22, 2018 Last Updated 1:15 PM, May 22, 2018

Fórum condena continuidade da dragagem na Baía de Sepetiba

O DOCUMENTO denuncia que a mortandade de botos-cinza ocorre nas baías de Sepetiba e da Ilha Grande O DOCUMENTO denuncia que a mortandade de botos-cinza ocorre nas baías de Sepetiba e da Ilha Grande FOTO INSTITUTO BOTO CINZA
Publicado em Cotidiano
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Entidades se unem na apresentação de Moção de Repúdio e relatam o que consideram calamidade ambiental

PROTESTO- Coordenados pelo Fórum Permanente em Defesa dos Pescadores da Baía de Sepetiba (FPDPBS), diversas entidades que congregam pescadores, maricultores, catadores de caranguejo, pesquisadores, representantes de universidades e de secretarias municipais, além do Ministério Público Federal, divulgaram ontem uma moção de repúdio às dragagens na Baía de Sepetiba, ecossistema em que, segundo o documento, há um quadro de calamidade ambiental.

Os integrantes do FPDPBS tomaram a decisão de tornar pública a moção de repúdio depois de se reunirem com representantes de diversas instituições preocupadas com o quadro alarmante de mortandade do boto-cinza, espécie cientificamente conhecida como Sotalia guianensis. Segundo o grupo, os botos estão sendo vitimados por um morbillivirus, que, desde dezembro de 2017 até agora, já provocou a morte de 141 animais. “Repudiamos as ações de continuidade da dragagem no canal de navios e áreas de fundeio na Baía de Sepetiba”, condenaram.

Os subscritores da moção de repúdio alertam que é de conhecimento público que vários agentes interferem na natureza da Baía de Sepetiba, o que exige a realização de estudos mais aprofundados para identificar as verdadeiras causas da baixa imunidade dos botos-cinza. “As dragagens mexem nos sedimentos que em estudos científicos já demostraram possuir altos níveis de poluentes, contribuindo para o aumento da vulnerabilidade do boto-cinza e de toda a biodiversidade. É fundamental que os órgãos ambientais e as organizações sociais assumam ações de gestão mais efetivas e eficientes, social e ambientalmente”, defendem.

Ainda de acordo com os autores do protesto, num contexto que envolve intensos fatores poluentes e degradantes, não é possível vislumbrar responsabilidade ambiental e sequer o desenvolvimento sustentável na Baía de Sepetiba e região. Entre as mazelas relacionadas no documento estão 82% do esgoto doméstico e industrial, lançado sem tratamento algum; intensa pesca industrial predatória; atividades portuárias em expansão; siderúrgicas; metalúrgicas; aumento de plantas fabris nos distritos industriais de Santa Cruz e Campo Grande; revolvimento e disponibilização (por meio das dragagens) de metais e organoclorados; chorume; derramamentos de petróleo; e turismo desordenado.

 

O documento relata ainda que pesquisadores do Laboratório de Bioacústica e Ecologia de Cetáceos da UFRuralRJ, que estudam a Baía de Sepetiba desde 1994, apontam que as poluições químico-industrial, por esgoto doméstico e sonora vêm contribuindo para a redução da qualidade de vida e para a baixa imunidade dos botos e de toda a biodiversidade. “Esse mamífero encontra-se, da mesma forma que o homem, no topo da cadeia alimentar; se os vemos debilitados e magros, é a constatação de que precisam de atenção”, alertam.

Pescadores relatam queda na produção

 Em um de seus trechos, o documento sai em defesa dos pescadores artesanais profissionais, que, segundo o texto, sentem nos últimos anos as consequências de tantas interferências, como, por exemplo, a redução drástica de pescados como corvinas e camarões, entre outras várias espécies de peixes. “Não sabemos qual é o quadro ambiental real de nossa baía. Observamos que sucessivas dragagens vêm acirrando esse grave quadro de desastre ambiental.  Não é possível que os órgãos ambientais e as empresas negligenciem esse estado atual de calamidade pública ambiental na Baía de Sepetiba, de proporções inimagináveis, já que a previsão de várias instituições envolvidas é que cerca de 70% desses animais venham a morrer”, denuncia o documento.

Mais adiante, o texto da moção, os subscritores apelam às entidades, aos moradores, pesquisadores, professores, estudantes, técnicos ambientais, técnicos de saúde pública e sanitária dos munícipios do Rio de Janeiro, Itaguaí, Mangaratiba, Paraty e Angra dos Reis, que assinem o documento, ajudando assim a divulgar os riscos que ameaçam o ecossistema local, com, segundo acentuam, perigo iminente da destruição de um ambiente de vida, trabalho, e lazer. Além da Baía de Sepetiba, o documento inclui a Baía da Ilha Grande, uma vez que a poluição por dragagens tende a se expandir, o que, segundo eles, é comprovado pela morte de botos também naquela baía. O documento é finalizado com uma solicitação de que a Recomendação no 01/2018 do Ministério Público Federal, feita no dia 15 de janeiro de 2018, referente à suspensão das dragagens seja respeitada pela Comissão Estadual de Controle Ambiental e pelo Instituto Estadual do Ambiente.