Feb 22, 2018 Last Updated 2:08 PM, Feb 21, 2018

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Redução de EJAs ameaça alfabetização

Alunos do EJA vão a justiça pedir que todas as escolas que oferecem aulas permaneçam abertas Alunos do EJA vão a justiça pedir que todas as escolas que oferecem aulas permaneçam abertas FOTO RENATA PIRES
Publicado em Cotidiano
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Prefeitura de Itaguaí pretende fechar nove escolas que oferecem aulas para jovens e adultos no período da noite. Alunos recorrem à justiça

 

JUSTIÇA - A decisão da Prefeitura Municipal de Itaguaí de restringir de 12 para apenas 3 o número de escolas que oferecem matrículas para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) levou os estudantes a procurarem ajuda judicial na tarde desta terça-feira (16). Mais de quarenta pessoas compareceram na Defensoria Pública de Itaguaí para entrar com uma ação contra a Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC) do município que decidiu reduzir os custos com o EJA com a alegação de evasão dos alunos. No entanto, segundo o site do QEdu existem mais de 3000 mil alunos matriculados no EJA.

Devido a grande demanda de ações a defensora do Núcleo Civil do município, Daniela Albergaria, decidiu entrar em contato com a SMEC e com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro de Nova Iguaçu (MPRJ), onde existem processos abertos contra a secretaria de Educação de Itaguaí para tentar resolver o problema “de forma administrativa sem entrar com ação judicial”.

A defensora chamou uma representante dos estudantes do EJA para garantir que se a secretária Municipal de Educação e Cultura de Itaguaí, Andreia Cristina Marcello Busatto não apresentar toda documentação exigida ao MPRJ de Nova Iguaçu até o dia 23 de janeiro, o juizado vai entrar com uma ação coletiva a favor dos alunos do EJA.

ENTENDA O CASO

A prefeitura pretende manter apenas as escolas: Ciep 496 - Municipalizado Maestro Francisco Mignone, no Monte Serrat, Escola Municipal Fusão Fukamati, na Gleba A, e a Escola Municipalizada Professora Maria Guilhermina de Souza Freire, no bairro Leandro abertas para atender pessoas de várias comunidades carentes de educação. É o caso da Flávia Regina da Conceição Lima, 40 anos, desempregada que vê nos estudos a oportunidade de entrar para o mercado de trabalho. “Já perdi emprego porque não tinha o primeiro ano completo. Além disso, não gostaria de sair de perto de casa para ir estudar em outra escola dentro de uma comunidade com facção rival”, desabafa ela.

Segundo o censo de 2010 do IBGE, a taxa de analfabetismo da população acima de 15 anos em Itaguaí é de 5,62%. Inviabilizar o estudo de centenas de pessoas é um crime para uma professora da EJA que não quis se identificar. “A importância da escola para a comunidade é fundamental para eles que vêm evoluindo aos poucos. Muitos chegaram à escola sem saber ler e escrever”, relata a docente.

A prefeitura diz que vai oferecer ônibus escolar para transportar os estudantes, mas para Josenita da Silva, 50 anos o serviço não vai funcionar. “Eles podem oferecer o transporte por uma semana, depois quando ele quebrar como a gente vai fazer?”, indaga ela que estuda no Ciep 300 e corre o risco de ser transferida para o Ciep 496. “Se isso acontecer vou ter que parar de estudar”, adianta Josenita.

 

 

 

Renata Pires

 

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