Oct 21, 2017 Last Updated 3:21 PM, Oct 20, 2017

Em meio à obscuridade, pais são escolhidos para o CME

Escola Municipal Oscar José de Souza: uma das unidades em que devia haver transparência Escola Municipal Oscar José de Souza: uma das unidades em que devia haver transparência FOTO REPRODUÇÃO
Publicado em Cotidiano
Ler 446 vezes
Avalie este item
(0 votos)

Eleição não teria ocorrido com a publicidade e transparência que deveria dentro das escolas

 

ELEIÇÃO O Conselho Municipal de Educação (CME) ainda dá o que falar. Depois de lei aprovada na Câmara, que determina a saída das cadeiras do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe/Itagauí), a manhã desta segunda-feira (25) foi de eleição para escolher o representante dos pais no conselho. E para muitos, a escolha foi com plena falta de transparência.

Houve muita reclamação, porque o processo não teria ocorrido da forma que deveria. Isso é o que afirma a representante dos pais e atual presidente do CME, Anna Paula Sales. “Cada escola teria que convocar, com ampla divulgação, os pais de alunos para que participassem das eleições e daí cada escola elegeria os pais representantes para as eleições finais, que foi hoje (25). Aconteceu que tais procedimentos de divulgação, dentro das escolas, não ocorreram como deveria”, afirma Anna Paula.

Segundo a presidente, muitos pais acreditam que a transparência e a pouca publicidade sobre a eleição ocorreu exatamente para que o governo tivesse mais controle sobre os candidatos escolhidos e isso é realmente temerário para muita gente. “Como haverá cobranças, realmente, se os pais de alunos escolhidos defendem o governo? O que a Secretaria de Educação e Cultura quer é um conselho de educação chapa branca, que não contrarie seus interesses”, lamenta a atual presidente do CME.

DESMANDOS

A secretaria de Educação, comandada pela primeira dama Andreia Busatto, tem sido acusada pelos profissionais da categoria de agir autoritariamente, sem que haja ampla discussão, como aconteceu com o fim da migração para o regime de 40 hiras, no cumprimento do 1/3 e, agora, com a saída do Sepe do CME.

Na última sessão ordinária da Câmara de Vereadores, a base governista, que é maioria, aprovou a Lei 3.554, de autoria do Poder Executivo. De acordo com os oposicionistas, a aprovação foi cercada por irregularidades e chegaram a pedir que o presidente retirasse a matéria da pauta. “A Comissão de Educação recebeu essa matéria no dia 13. Nós seguimos conforme o processo. A comissão protocolou um requerimento de informação conforme o artigo 86 do RI”, reclamou o vereador Willian Cezar (PSB) na ocasião. Ele ainda destacou que o requerimento interrompe os prazos fixados para que um parecer seja emitido. O requerimento de informação sobre a lei foi ignorado pelo presidente da Casa, Dr. Rubem Ribeiro (PTN).

A lei foi aprovada e o Sepe está fora do CME. Este fato, para muitos, evidencia a intenção do governo de aumentar seu poder e diminuir as pressões por meio da redução de fiscalização e do acompanhamento social. Ao que parece, a pouca divulgação sobre escolher os representantes dos pais para o conselho é mais um capítulo dessa história de despotismo.

Dilceia Norberto

 

Dilceia Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.