Apr 23, 2017 Last Updated 3:00 AM, Apr 20, 2017

Falta e demora de ônibus ainda afligem passageiros

Passageiros descem do ônibus da Empresa Expresso, que pegou a linha Campo Grande x Itaguaí Passageiros descem do ônibus da Empresa Expresso, que pegou a linha Campo Grande x Itaguaí FOTO CLEITON BEZERRA
Publicado em Cotidiano
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Linhas continuam sem ônibus e valor de algumas passagens subiram

Dilceia Norberto (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)
Cleiton Bezerra (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

TUDO NOVO? O primeiro dia útil de mudança nas empresas de ônibus para os usuários das linhas da Expresso Mangaratiba foi de dúvidas e surpresas (não tão agradáveis, como esperavam alguns). Por determinação do Departamento de Transportes Rodoviários (Detro), a empresa que detinha linhas intermunicipais que ligavam a Costa Verde a bairros da Zona Oeste do Rio e a cidades da Baixada Fluminense perdeu o direito de transportar passageiros e foi substituída, em caráter emergencial, pelas empresas Expresso Real Rio, Expresso Recreio e Auto Viação Reginas.

Além do aumento de preço em algumas linhas, muitos passageiros continuaram ‘na mão’. A linha Itaguaí x Campo Grande, por exemplo, que seria atendida pela Real Rio não apareceu. Os trabalhadores que precisavam chegar à Itaguaí e costumavam seguir pela Rua Campo Grande e Estrada de Urucânia, que estavam tendo sérios problemas com os ônibus da Expresso, não viram os ônibus da Real Rio. “Parece que o desrespeito continua. Pensei que a coisa fosse melhorar a partir de sábado, mas por enquanto tudo piorou”, disse uma usuária que mora no bairro de Inhoaíba e precisa gastar mais de uma passagem em baldeações, quando o ônibus dessa linha não aparece.

Passageiros da linha Chaperó x Santa Cruz também reclamaram da demora. Usuários da linha Campo Grande x Itaguaí (via Palmares) ficaram decepcionados.  Como quem assumiu a linha foi a Expresso Recreio, muitos achavam que os carros seriam os equipados com wi-fi e ar-condicionado, como os da linha Itaguaí x Barra da Tijuca. “Os ônibus não são muito novos e estão bem sujos, além dos pneus estarem quase carecas”, destacou um passageiro que mora em Campo Grande e trabalha em Itaguaí.

O FIM DE UMA HISTÓRIA

Para o motorista José Severino Neto, conhecido apenas como Neto, que fazia a linha Conceição de Jacareí x Duque de Caxias, e para os passageiros de seu ônibus, o fim da Expresso nessas linhas leva junto reuniões divertidas na hora de voltar para casa. Muitas festas de aniversário ou festas de fim de ano foram comemoradas dentro do coletivo. Com direito a bolas, bolo, refrigerante e salgadinhos.

A relação entre passageiros e motoristas, transformou-se em amizade e gerou um grupo no Whatsapp chamado ‘Galera do Neto’, que servia para combinar as festas e, principalmente, para informar o horário em que o ônibus passaria. No entanto, nos últimos tempos o grupo serviu muitas vezes para Neto avisar aos amigos que não passaria, porque não tinha carro ou porque estava enguiçado.

“Até dois anos atrás, trabalhávamos muito bem e os passageiros viajavam muito bem. Mas por uma briga de patrões, começaram a surgir algumas discórdias e colocaram um novo gerente geral. Até então, a empresa dava importância para o cumprimento de horários. Todos os motoristas faziam seus horários, sabiam os horários dos passageiros. Com a chegada desse novo gerente, os motoristas passaram a não ter mais carros efetivos e passamos a não ter mais horários.”, relatou Neto.

O motorista da Expresso afirma  ainda que quando os motoristas tinham carros efetivos, cada um podia cuidar do seu. “Quando era assim, o carro quase não enguiçava, porque o condutor estava sempre cobrando manutenção. Sem termos carros efetivos, quando surgia algum problema, você falava com a oficina, ela fazia a nota e entregava para outro motorista. Você não sabia se a oficina tinha feito o serviço ou não. Até chegar a decadência de o carro não prestar mais e assim foi diminuindo a frota. E os passageiros foram ficando mais tempo no ponto, os ônibus não cumpriam mais horários. E foi decaindo até chegar aonde chegou”, conta.

MÁ FÉ

Até o último dia de funcionamento, segundo os motoristas, a Expresso não havia dado qualquer informação a seus funcionários sobre a intervenção. Motoristas afirmam que tudo que sabiam era por meio de colegas de outras empresas ou por meio de passageiros. A Expresso começou a demitir seus funcionários no dia 3 de abril. No entanto, algumas informações dão conta de que as demissões foram feitas com base em um acordo para pagar os salários dos funcionários, que ainda não foi feito, no dia 20. Motoristas ainda afirmam que a empresa não deposita o FGTS há dois anos

“Quero relatar que eles agiram de má fé, não deram informação, atrasam pagamentos. Os motoristas gostavam muito de trabalhar na Expresso. Achávamos que era uma empresa legal. Mas caiu na deficiência para os passageiros e para os motoristas. Muitas vezes eu deixei de poder trabalhar, por falta de ônibus”, lamenta Neto.

A Expresso tinha 36 linhas. Havia perdido quatro durante uma intervenção pelo Detro no dia 16 de janeiro. Agora perdeu mais 17. A empresa continua atuando em outras 15 linhas, agora somente com o nome de Costeira. “A gente continuou trabalhando porque tinha alguma esperança. Mas agora não sabemos o que fazer. Também não podíamos abandonar o barco por causa dos passageiros. Nós fazíamos nossas festas, comemorávamos nossos aniversários dentro do ônibus, então eu gostava. Estava trabalhando na mesma linha desde 2008. Mas infelizmente a coisa está acabando desse jeito, sem a gente saber o que vai acontecer direito”.

Membros do grupo ‘Galera do Neto’ também ficaram tristes com a situação causada pela empresa Expresso. “Foi muito bom enquanto durou, mas quem sabe a gente não se esbarra por aí. Por mais que o Neto não esteja mais na linha, continua nosso amigo”, afirmou Valdenei Pereira, morador de Uracânia que trabalha em Itaguaí e era passageiro do ônibus do Neto.

Muitos motoristas foram demitidos. Alguns foram contratados pelas novas empresas e motoristas relatam que a Expresso dificultou até o processo de dar baixa nas carteiras. Neto continua na empresa e agora vai fazer a linha Caxias x Itaguaí (via Cabuçu). Para os passageiros, a dúvida continua quanto á melhoria do serviço. A conferir.