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Jul 19, 2018 Last Updated 12:59 PM, Jul 18, 2018

Ter ou não ter, eis a questão!

Publicado em Poder
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Autoridades opinam sobre a realização da Expo, que foi cancelada

 A quarta-feira foi um dia de especulações em Itaguaí por conta das dúvidas suscitadas pela possibilidade de não realização da Expo. O entendimento que prevalecia a partir da decisão da Comarca da Itaguaí, de suspender qualquer pagamento destinado à realização da Expo, era o de que, sob pressão da Justiça, a Prefeitura de Itaguaí iria recuar na intenção de começar a festa, afinal, de acordo com o despacho do juiz Richard Robert Fairclough, se a Prefeitura de Itaguaí mantiver qualquer pagamento decorrente de despesas relacionadas a Expo Itaguaí, haveria uma multa no valor de 30% do valor pago, recaindo sobre a autoridade administrativa que autorizar/determinar o pagamento.

A decisão do magistrado levou em conta o fato de que se deve preservar a destinação correta das receitas municipais, evitando que ela seja prejudicada caso, no futuro, seja constatada alguma irregularidade na organização do evento, já que ele está agendado numa cidade marcada por um quadro de intensa dificuldade financeira, com vários serviços públicos essenciais carentes de atenção oficial.

Ao contrário do que se poderia esperar de uma administração em sintonia com o interesse público e, claro, com a Justiça, ao invés de prestar esclarecimento sobre as providências tomadas para atender às determinações da Comarca de Itaguaí, a Prefeitura preferiu veicular mensagens garantindo a abertura do evento, inclusive animando as pessoas a prestigiar. Com isso, a ideia do juiz Richard Robert Fairclough, de que 

houve razões suficientes para acolher o pedido liminar, cancelando os gastos com a Expo, e de que na preservação do que é público, impõe-se cautela e seriedade, não encontrou qualquer acolhida no Palácio Barão de Teffé.

Diante do fato, o ATUAL procurou autoridades do município para expressarem suas opiniões sobre a realização da Expo. A equipe de reportagem esteve na manhã desta quarta-feira (4), na CMI para tentar falar com o presidente da Casa, Rubem Vieira (PTN), porém foi informado que ele não estava. O ATUAL tentou contato com o presidente por telefone, mas também no obteve sucesso. Além do presidente da CMI, a equipe de reportagem procurou ouvir os vereadores, mas devido a organização da solenidade de aniversário da cidade, não encontrou nenhum parlamentar da base governista.

Assim como foi feito com o presidente da CMI, o ATUAL tentou, por telefone, falar com os vereadores da base governista, mas também sem sucesso.  Apenas os vereadores Willian Cezar, André Amorim (PR), Ivan Charles (PSB), Genildo Gandra (PDT) e o deputado federal Alexandre Valle (PR-RJ) se manifestaram sobre a realização da Expo e do momento de crise da atual gestão municipal.

 

DEPUTADO FEDERAL ALEXANDRE VALLE

“O governo não tem consideração com as necessidades públicas ao gastar R$ 6 milhões com a Expo. O entretenimento é importante para cidade, já que realizei a Expo por oito anos e sei que ela é importante para a economia local, mas tem que priorizar os serviços públicos como a saúde, educação, transporte escolar e a segurança. O governo alega crise financeira, mas faz pouco caso com a saúde e a educação que estão sucateadas. O município que é importante referência portuária do Rio de Janeiro e do Brasil, infelizmente, é um barco à deriva no oceano. Encaminhei emendas destinadas a saúde que poderiam ter comprado três ambulâncias, mas ninguém sabe para onde foi essa verba”, deputado federal Alexandre Valle (PR-RJ). 

 

VEREADOR IVAN CHARLES

“Neste momento em que a cidade está passando por este caos em todos os serviços públicos básicos para a população. Sou literalmente contra a realização desta festividade. Considero uma grande irresponsabilidade e uma afronta a toda população Itaguaiense”, vereador Ivan Charles (PSB).

 

VEREADOR ANDRÉ AMORIM

“Sou um entusiasta da Expo pelo fato da festa ter sido criada no governo do ex-prefeito Benedito Amorim, meu pai. É uma festa importante para comercio da cidade. Só sou contra da realização da Expo devido ao momento que está passando o município. Como vai ser caso aconteça um acidente na festa?  Como essas pessoas serão removidas? Aonde elas serão atendidas ou removidas? Como será feita a segurança interna e externa da Expo? No momento em que o município está precisando priorizar gastos com alugueis de imóveis atrasados, servidores sem seus vencimentos pagos, qual é a prioridade? Um tomógrafo estragando, ambulâncias sem funcionar, então eu questiono se é seguro a realização da Expo?”. vereador André Amorim (PR).

 

VEREADOR GENILDO GANDRA

 “Hoje estamos num município em que a educação e a saúde são precárias. Escolas, creches e postos de saúde estão sendo furtados. Não há ônibus escolares e os uniformes ainda não foram entregues. Mediante a situação de hoje que vive o município, a festa da Expo não vai agregar valor. Se acontecer um acidente não previsto dentro da Expo, o município não tem condições de atendê-las. Ninguém é contra a Expo. No momento a cidade não tem estruturas. Entre escolher a realização da Expo, sou a favor da reestruturação do Hospital Municipal São Francisco Xavier e a reabertura da UPA”. vereador Genildo Gandra.

 

VEREADOR WILLIAN CEZAR

“Hoje a cidade tem estrutura para receber a quantidade de pessoas que vão circular pela Expo? Não importa se o cidadão tem ou não condições financeiras para ser atendidas no Hospital Municipal São Francisco Xavier, que no momento não está em condições de atendimento de grande proporção. Se acontecer algum acidente, seja na Expo ou na Rio-Santos, essas vítimas terão que ser atendidas no São Francisco Xavier e depois transferidas para hospitais de municípios vizinhos. Porém, a unidade não tem insumos básicos, não tem ambulância, não tem respiradores e medicamentos. Esta festa faria diferença se fosse realizada daqui alguns meses, depois de sanado os problemas? É triste ver a cidade que completa 200 anos, sendo destaque nas grandes mídias, não por ganhar prêmios, mas sim por situações vergonhosas”.