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Sep 23, 2018 Last Updated 2:58 PM, Sep 21, 2018

Firjan inicia série Retratos Regionais da Baixada

INVESTIMENTOS COMO a construção do Arco Metropolitano foram decisivos para a definição do cenário econômico atual de Itaguaí INVESTIMENTOS COMO a construção do Arco Metropolitano foram decisivos para a definição do cenário econômico atual de Itaguaí FOTO ARQUIVO ATUAL
Publicado em Cotidiano
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ANÁLISE- A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) iniciou agora em março a série “Retratos Regionais - Cenário Econômico”, que elegeu a Baixada Fluminense como uma das pautas. A pesquisa mostra que os empresários da região esperam por uma melhora na atividade econômica para 2018 e estão entre os mais otimistas do estado. O novo serviço, online e gratuito, detalha a conjuntura socioeconômica do estado do Rio e dá um panorama sobre crescimento, nível de atividade industrial, mercado de trabalho, ambiente de negócios e expectativas para os próximos meses.

Nas palestras, com transmissão ao vivo, especialistas em economia da Firjan analisaram dados exclusivos sobre cada uma das dez regiões fluminenses, além dos cenários econômicos nacional e internacional. “Apresentamos informações econômicas essenciais para os empresários, com o diferencial de olhar para as particularidades de cada região do estado, orientando a tomada de decisões”, explicou William Figueiredo, coordenador de Estudos Econômicos da Firjan.

Com uma área de 3.933 km², quatro milhões de habitantes e R$ 101 bilhões do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015, a região que abrange as cidades de Itaguaí, Japeri, Mangaratiba, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados e Seropédica (Baixada I) e Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Magé, São João de Meriti e Teresópolis (Baixada II), apesar de ser considerada com atividade econômica relevante, com 37 mil estabelecimentos e mais de 500 mil empregados em 2016, mais de 40% da população se desloca para outros municípios para trabalhar.

A indústria, por sua vez, emprega mais de 70 mil trabalhadores na região, principalmente nos setores de transformação e construção. Na transformação, os destaques são os ramos de alimentos e cosméticos. Quanto à atividade econômica, a Sondagem Industrial da Firjan aponta que, em dezembro, a indústria da Baixada Fluminense seguiu reduzindo a produção e atendendo à demanda com estoques, em ritmo semelhante ao estado. Apesar disso, os indicadores apontam que a utilização da capacidade instalada das empresas dos municípios abrangentes avançou, com 65% a Baixada I, acima da média do estado que atingiu 60%, igual ao da Baixada II, também com 60%.

Realidade reflete a crise econômica

A crise econômica no estado reflete diretamente na atividade industrial da região. O impacto é percebido diretamente na falta de caixa, diante das baixas margens de lucro e da dificuldade de acesso a crédito. “Os industriais seguem insatisfeitos com a situação financeira de suas empresas, ainda mais porque a atividade econômica da região mostrou baixa evolução. Em 2017, na Baixada I, as importações avançaram apenas 0,5%”, frisou William Figueiredo.

Com relação ao mercado de trabalho, em 2017, a Baixada I foi a única região com saldo positivo no quarto trimestre em todo o estado, mas apresentou extinção de vagas durante no resultado anual (-3.979). Nova Iguaçu foi a cidade mais afetada (-3.478). Vale ressaltar que o ritmo de fechamento de vagas em 2017 foi menos intenso que em 2015 e 2016. O destaque positivo na região ficou por conta da indústria, que abriu 538 postos em 2017, após três anos com saldo negativo. A construção, sobretudo em obras de infraestrutura (Itaguaí) e serviços especializados para construção (Nova Iguaçu), e a indústria de transformação (outros equipamentos de transporte, em Itaguaí) puxaram o resultado positivo.

William Figueiredo salientou que a Baixada Fluminense foi uma das regiões do estado mais impactadas pela crise. Ele acrescenta que o mercado de trabalho formal da Baixada I encolheu em 9% nos últimos três anos, enquanto o estado do Rio perdeu 11%. “As pessoas passaram a buscar outras oportunidades empreendendo. O número de microempreendedores cresceu 15%, nas duas Baixadas. E o registro de empresas cadastradas no ano passado no Simples Nacional também aumentou 12%, em Nova Iguaçu e região, e 11%, Duque de Caxias e região. Todos os resultados em relação a 2016”, detalhou.

 

Fator chave para o desenvolvimento dos municípios

As informações apresentadas são produzidas com base em estatísticas oficiais dos governos federal e estadual; da sondagem industrial, que levanta dados regionais trimestralmente; e do boletim de investimentos - essas duas publicações são elaboradas pela Firjan. Ao observar o ambiente de negócios e como a Baixada Fluminense está estruturada para receber novos investimentos, é importante olhar, entre outros fatores, para a segurança, energia e telecomunicações. Sem dúvida, em todo o estado do Rio a segurança pública é um desafio e na Baixada não é diferente.

Em 2017, na Baixada I, a cada 8 horas uma carga foi roubada, o que gerou um prejuízo estimado de R$ 54 milhões. Nova Iguaçu foi a maior influência na região (53%). No indicador de homicídios, a cidade de Nova Iguaçu e região ocuparam o quarto lugar com mais ocorrências no estado. O estudo registrou que a cada oito horas houve, em média, uma vítima por morte violenta na região.

A qualidade da energia na Baixada Fluminense apresentou resultados melhores do que os do estado. A Baixada I (14,4h número de horas sem energia) foi a segunda melhor, apesar de ainda estar longe do ideal. O mesmo aconteceu com a qualidade de banda larga. A Baixada I registrou a terceira melhor do estado, apesar das distorções. Os piores resultados foram em: Paracambi, Mangaratiba e Itaguaí e os melhores: Nova Iguaçu, Nilópolis e Mesquita. Nesse cenário, os esforços para aprimorar essas questões são fundamentais, uma vez que o aumento de investimentos tem a capacidade de gerar emprego e renda na região. “Vale destacar que em um cenário de recuperação econômica, a primeira coisa que sinaliza que o empresário vai retomar investimentos é a melhora da situação financeira, depois a produção aumenta e, por último, há um impacto positivo no mercado de trabalho”, detalha o coordenador de estudos econômicos da Federação das Indústrias, William Figueiredo.

Na Baixada I, estão previstos investimentos de R$ 31,8 bilhões (valor estimado) do Programa de desenvolvimento de submarinos (Prosub), em Itaguaí, de R$ 3,4 bilhões (valor estimado) do Programa de Abastecimento de Água (Cedae) nos municípios de Itaguaí, Japeri, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados e Seropédica, além de outros investimentos em torno de R$ 496,5 milhões, em Nova Iguaçu, Seropédica e Queimados.