Loading...
Aug 21, 2018 Last Updated 2:58 PM, Aug 17, 2018

Dia Internacional da mulher: Itaguaienses falam sobre as expectativas para 2018

01-	A doméstica Linete Oliveira acredita que as mulheres trabalham mais que os homens. 01- A doméstica Linete Oliveira acredita que as mulheres trabalham mais que os homens. FOTO LETÍCIA SABBATINI
Publicado em Cotidiano
Ler 1618 vezes
Avalie este item
(0 votos)

CONSCIENTIZAÇÃO- O Dia Internacional da Mulher, comemorado todo dia 8 de março, surgiu no contexto das lutas femininas por melhores condições de trabalho e vida ainda no século XIX. Hoje, em 2018, as lutas permaneceram e a conscientização em torno da importância dessa data também. Uma pesquisa realizada pelo Datafolha divulgada no Dia da Mulher de 2017 mostrou que 22% das brasileiras já sofreram ofensa verbal, 10% já foram ameaçadas fisicamente  e 8% sexualmente, e ainda 3% ou 1,4 milhões de mulheres já foram espancadas. No estado do Rio de Janeiro, dados divulgados pelo Instituto de Segurança Pública ainda em 2017, apontaram que a cada 12 minutos, uma mulher foi vitima de agressão física. Diante desse cenário, a equipe do ATUAL foi para a rua ouvir o que as Itaguaienses têm a dizer.

A ambulante de 22 anos, Kelly da Silva, não enxerga diferença salarial entre homens e mulheres, mas reclama do desrespeito. “Pra mim não tem diferença no salário, mas os homens ainda são muito machistas. Alguns acham que só pelo fato de uma mulher usar roupa curta, eles têm o direito de mexer ou colocar a mão. Não pode ser assim”, desabafou a jovem. Enquanto isso, a estudante também de 22 anos, Priscila Maria, acredita que as oportunidades de emprego para as mulheres são menores. “Existe para nós o tal machismo, né? Eu estava procurando emprego em logística, mas eles só aceitam homem. Então eu acabei desistindo e entrei para a área de maquiagem, que aceita mais mulheres”, contou.

O município de Itaguaí, ao longo dos anos, apresentou uma taxa percentual de mulheres assassinadas muito inconstante. Na última pesquisa, realizada em 2016 pelo Ministério da Saúde, a cidade estava abaixo do percentual nacional, mas ao longo dos anos e das consecutivas pesquisas anteriores, as taxas do município oscilaram muito em um espaço curto de tempo. Dessa forma, ainda não é possível calcular como estará a segurança feminina ao longo de 2018.

A vendedora Marilene dos Santos de 51 anos desabafou sobre a situação da mulher em Itaguaí. “Nós não temos nenhuma proteção aqui, eles dizem que somos protegidas, mas é mentira. Se você procurar uma delegacia pra dar parte, não dão importância e muitas vezes somos até acusadas pelo machismo dos homens”, afirmou. 

Para a doméstica Linete Oliveira de 63 anos, é preciso mais do que o Dia Internacional da Mulher para que elas consigam mais respeito. “Deveríamos criar as crianças desde o início aprendendo sobre isso. Meninas precisam entender que não devem ter medo e meninos que devem sempre respeitar. Só assim pra você ter paz andando na rua. Quero ter paz pra sentar na praça e saber que ninguém vai me pegar ou abusar de mim”, desabafou. Ao perguntarmos sobre suas expectativas e esperanças para 2018, todas as mulheres entrevistadas usaram a palavra “respeito”.