Aug 22, 2017 Last Updated 2:28 PM, Aug 22, 2017

Educação municipal mantem greve em Itaguaí

Profissionais da educação, em mais uma assembleia, votaram pela continuidade da greve, iniciada no dia 13. Profissionais da educação, em mais uma assembleia, votaram pela continuidade da greve, iniciada no dia 13. FOTO DILCEIA NORBERTO
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Categoria afirma que não obteve resposta do Poder Executivo e pede apoio ao parlamento

Dilceia Norberto

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DELIBERADO A greve continua! Essa foi uma das principais deliberações da assembleia realizada pelo Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe / Itaguaí) na manhã desta quarta-feira (15), no Salão de Festas Aliança. Entre os argumentos para a manutenção, os trabalhadores colocaram as questões dos salários atrasados e a falta de uma resposta do Poder Executivo às suas reivindicações.

Os profissionais distribuíram ainda uma carta aberta à população, explicando o porquê da greve. Nela, eles, além da questão financeira, destacam a falta de estrutura para um ambiente adequado de trabalho. “Faltam carteiras, livros didáticos, material de limpeza, materiais pedagógicos, segurança, funcionários de apoio [...]. As escolas precisam de reparos de manutenção urgente. Não há nem portas na maioria das salas de aula. As salas são insuportavelmente quentes”, lista trecho da carta.

JUSTIFICATIVA

Para a coordenadora geral do Sepe/ Itaguaí, Dulce Figueira, a greve é um direito que o servidor possui e os motivos dela estão mais do que justificados. “Esta categoria está sem o pagamento de dezembro, sem parte do 13º, alguns servidores nem o mês de novembro receberam integralmente, faltam os resíduos do PCCS, férias. Então, essa categoria precisa ter uma resposta em relação ao não cumprimento dessa pauta salarial”, disse.

Os profissionais repetiram que tentaram inúmeras vezes, por meio de ofícios, o diálogo com a gestão municipal. Na única audiência que conseguiram com a secretária de Educação, Andreia do Charlinho, os servidores da educação pediram o envio de um ofício ao prefeito, Carlo Busstto, o charlinho (PMDB). “Temos a necessidade de um encontro com o prefeito, porque a secretária não tem o poder de negociar questões financeiras, somente o chefe do Executivo. Aguardamos até ontem (14) alguma audiência que pudesse trazer alguma proposta do governo. Ela não veio”, concluiu Dulce, que afirma ainda que em relação a várias outras pautas dos servidores, a secretária se coloca aberta para resolver.

INJUSTIFICÁVEL

No entanto, a categoria não obteve qualquer resposta para questões como o fim da migração para o regime de 40 horas, a exoneração dos diretores adjuntos de escolas com menos de 600 alunos, as alterações no número de professores no berçário, a mudança no 1/3 para planejamento, entre outras alterações feitas desde que o novo governo tomou posse.

 “Estamos na expectativa. Em relação à jornada extraclasse do professor não há justificativa plausível para ter modificado, visto que está determinado por lei federal que é uma atividade extraclasse. Então, não gera impacto, nem falta de professor em sala de aula. Mudar isso de fora da escola para dentro da escola não gera economia. Não há impacto financeiro para o governo. A nossa argumentação principal para o governo é que a escola não dá estrutura para exigir toda a jornada dentro da escola. Não há, se quer, um referencial infantil nas creches, não há biblioteca, não há uma sala para a gente se reunir e discutir o planejamento pedagógico para a escola. Então, como fazer todo o horário extraclasse dentro da unidade?”, questiona o professor e diretor de comunicação do Sepe, Filipe Veloso.

UNIÃO

Durante a assembleia, os profissionais propuseram maior união entre a categoria e pediram para que o medo fosse deixado de lado. O pessoal também demonstrou indignação porque muitos estão aceitando o pagamento do Regime Especial de Trabalho (RET), que seria o pagamento de horas extras trabalhadas, já que o governo decretou o fim do regime de migração para 40 horas dos servidores.

Os trabalhadores decidiram pedir apoio ao parlamento municipal e prometem lotar a sessão ordinária de hoje. Uma nova assembleia foi marcada para a próxima segunda-feira (20), às 9h, na Praça Vicente Cicarino, seguida de ato irreverente em que os profissionais colocarão o bloco “Me chama de tia, mas me paga” na rua. A conferir.