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Ofertas no mercado de trabalho em Itaguaí despencam em três anos

PEDRO LEMELLE, diretor executivo da Domínio RH faz um balanço de oportunidades em Itaguaí PEDRO LEMELLE, diretor executivo da Domínio RH faz um balanço de oportunidades em Itaguaí FOTO RENATA PIRES
Publicado em Cotidiano
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Diretor de empresa de RH afirma que oportunidades na área operacional ainda se mantém aquecidas

 

 EMPREGO - No ano de 2014, Itaguaí esteve na mira de grandes investimentos devido a instalações de portos e pela promessa do término da construção do Arco Metropolitano. A economia acelerou. A demanda de empregos cresceu, e as contratações superaram as demissões. No entanto, o boom econômico sofreu uma queda vertiginosa. Nos últimos anos, devido ao colapso financeiro e escândalos políticos, o quadro mudou deixando aparente a magnitude da crise que abateu a cidade. Em entrevista ao ATUAL, Pedro Lemelle, diretor executivo da Domínio RH relata que a incerteza no mercado de trabalho registra recuperação, ainda que em ritmo lento e gradual. Acompanhe, na íntegra, a conversa com o diretor.

ATUAL – Como você enxerga o mercado de trabalho e a carreira em Itaguaí? A procura está maior que a demanda?

PEDRO LEMELE - Infinitamente maior. A busca está numa faixa de 75% contra 20 da oferta. Itaguaí passou pelo momento que foi chamado de Eldorado Fluminense.

ATUAL – Você concorda que Itaguaí era considerado o celeiro de oportunidades?

LEMELLE - No segundo semestre de 2011 até o final de 2014 foi o boom dos empregos em Itaguaí com o advento da construção do Porto Sudoeste, da CSA... Já tínhamos a Vale, Instituto de Ciências Náuticas (ICN), Odebrecht, Sepetiba Tecon. Tudo isso desencadeou uma euforia de empregos na cidade. Não se via quase ninguém desempregado. E mesmo aqueles que não tinham um emprego formal, de carteira assinada, estavam conseguindo tirar seu sustento, mesmo através da informalidade ou até através do registro como Micro Empreendedor Individual (MEI).  A cidade crescia em passos largos em termos de economia aquecida, de empregos, muitos carros circulando nas ruas porque as pessoas estavam adquirindo bens que até a pouco tempo atrás elas não tinham. Percebia-se isso pelos engarrafamentos na cidade, pelo crescimento do comércio. Isso atraiu Chevrollet, Fiat e lojas âncoras, como Leader Magazine, Lojas Americanas... Tudo foi despertando o interesse de grandes cadeias de lojas porque a econômica de Itaguaí estava superaquecida. Conclusão, tinha emprego para todo mundo e todos gastavam dinheiro na própria cidade. Logo depois quando entramos na crise política e econômica começamos a ser afetados; não só Itaguaí, mas o Brasil em geral.

ATUAL – Quando a oferta começou a cair?

PEDRO LEMELE – Isso vem caindo desde o final de 2014. Parecia até meio imperceptível, mas já vinha acontecendo. No começo de 2015 a queda aumentou um pouco mais, mas as ofertas ainda existiam. Quando chegamos ao segundo semestre de 2015, até o período atual, realmente a queda é a olhos vistos.

ATUAL - Como foi feito este balanço?

PEDRO LEMELLE – Atualmente, a Domínio RH recebe por dia uma média de 60 currículos. De 2014 para trás, a nossa base de procura era muito menor porque todo mundo estava empregado. Então, esse é o indicador verdadeiro. Quando as pessoas começam a bater na sua porta para entregar o currículo é possível medir as quantas anda a oferta e a procura.

ATUAL - Em sua opinião, o que se deve o esgotamento de oportunidades em Itaguaí?

PEDRO LEMELLE - A crise financeira. A ICN, por exemplo, recebe aporte financeiro do governo. Se o governo entrar em crise econômica começa a fechar as torneiras. Provavelmente, deve ter acontecido isso com a empresa que teve uma penca de demissões. O mesmo aconteceu na Odebrecht, que faz parte dos consórcios da ICN, na Nuclep, que também atende os interesses da empresa na montagem de cascos do submarino. O Porto Sudoeste depende dos estoques de minério que vão à China, à Europa. Se os estoquem estão altos, a China não compra e o minério fica estocado no pátio e não tem para onde escoar. Se não tem para onde escoar, não tem trabalho. Se não tem trabalho acontece a onda de demissões para a empresa não ficar com a força de trabalho de braços cruzados.

ATUAL – O Cenário de oportunidades mudou?

PEDRO LEMELLE - O quadro mudou. Mas, existem vagas na área operacional. Esse é, e sempre será o carro chefe aqui em Itaguaí. A demanda da mão de obra, como do técnico em manutenção, da solta, por exemplo, sempre vão ter.

ATUAL - Você destacou as vagas na área operacional. Mas, e quanto as oportunidades que exigem escolaridade ou formação superior?

PEDRO LEMELLE - Talvez ainda não tenhamos qualificação na parte administrativa, de gestão, ainda percebe que muitas posições estratégicas das empresas, do primeiro escalão, são preenchidas por pessoas que vem de fora. Na camada operacional estamos bem servidos sim. Já no topo da pirâmide, a gente ainda se recente de uma qualificação melhor.

ATUAL - Então, os itaguaienses não acompanharam o período de evolução e não se especializaram?

PEDRO LEMELLE - Houve uma evolução sim. Há pessoas qualificadas para o segmento operacional. Com o advento do Senai, Cefet e até as outras escolas técnicas particulares o trabalhador entendeu a importância da qualificação profissional para competir com igualdade com o mercado. E ele, o trabalhador, correu atrás. Nessa área, existem mais mão de obras disponíveis e menos trabalhos a serem preenchidos.

ATUAL - Para o final de ano, como estão as vagas de empregos temporários?

 

PEDRO LEMELLE - Normalmente, o fim de ano é de uma ambiguidade impressionante. Temos a força do comércio e a força da indústria. No final de ano a força do comércio aparece mais, porque os comerciantes apostam e investem no crescimento de receita. Eles investem na contratação de trabalhadores temporários para suprir toda carga que o período exige. O aquecimento é bem legal; no comércio. Dependendo do desempenho do funcionário poderá acontecer a efetivação lá na frente. É uma bela oportunidade. Agora, na indústria é o momento em que não há grandes expectativas ainda mais no momento de crise, onde os empregadores se preocupam com o pagamento do décimo terceiro salário. 

 

Renata Pires

 

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