Nov 23, 2017 Last Updated 2:00 AM, Nov 23, 2017

Preconceito religioso chega a terreiros do bairro do Engenho

Altar de religião de matriz africana destruído por ordem de traficantes que se dizem cristãos Altar de religião de matriz africana destruído por ordem de traficantes que se dizem cristãos (FOTO REPRODUÇÃO INTERNET)
Publicado em Polícia
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Bandidos teriam dado três dias para que Mães de santo destruam seus altares e deixem os locais

 

ÓDIO Os casos de intolerância religiosa que estão acometendo as comunidades do Rio de Janeiro pode ter chegado a Itaguaí. Os eventos em que bandidos ordenam a destruição de terreiros de umbanda e candomblé tem crescido nos últimos meses e, de acordo com alguns munícipes, três terreiros do bairro do Engenho teriam sofrido ameaças.

As mães de santo triam sido avisadas de que devem retirar tudo do espaço religioso e devem deixar o local em três dias. A ameaça teria ocorrido na tarde de segunda-feira (9). As religiosas de Itaguaí estariam bastante assustadas e sem saber o que fazer. No último mês, um vídeo que mostra uma mãe de santo destruindo o próprio terreiro, sob ordens de bandidos que se autodenominavam cristãos, tomou conta do país.

Para o itaguaiense e pastor da Igreja Evangélica Congregacional, que também foi capelão do Hospital Municipal São Francisco Xavier, Antônio Carlos Ramos a situação é totalmente fora dos padrões cristãos. “Isso é um absurdo. Eu não concordo com nenhum tipo de intolerância, sobretudo a religiosa. Até porque, eu entendo que nós todos estamos unidos por algo muito maior do que aquilo que nos separa, que deve ser o amor ao próximo, o respeito às diferenças. Por exemplo, eu sou pastor e tenho um amigo que é o padre José Eduardo, que lida comigo dentro do Conselho de Capelania. Eu tenho amigos, por exemplo, que são espíritas e são meus amigos. Eu os considero e eles a mim. Nós nos respeitamos. Eu entendo que todo tipo de intolerância tem que ser banida da sociedade, seja ela religiosa, seja ela política, seja ela social. Eu não sabia desse fato em Itaguaí e isso me assusta muito”, disse o pastor.

Ele também destacou que acredita que tenha sido algo isolado e pontual. Porque não seria uma característica da comunidade itaguaiense. Para ele, os eventos no Rio de Janeiro mostram uma aberração, que é o fato de os bandidos se dizerem cristãos. “Isso não pode ser. Uma coisa com a outra é incompatível. Então, a gente não pode associar isso à religião. São pessoas que não gostam de certo tipo de ação como, por exemplo, eu não gosto de um baile alto do lado da minha casa. São pessoas que não gostam daquela atividade e se escondem atrás de uma fachada e denigrem a imagem da religião. Eu não acredito que seja intolerância religiosa. Acredito que sejam pessoas que estão fazendo isso em nome da religião, sem ter nada a ver com a religião”, destacou o pastor Antônio Carlos.

Policiais militares da 5ª Cia/Itaguaí do 24º BPM não confirmaram a informação sobre os casos nos terreiros do Engenho, mas afirmam que uma pessoa do bairro ligou para a polícia dizendo que estava sofrendo ameaças por questões religiosas. 

 

Dilceia Norberto

 

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