Oct 21, 2017 Last Updated 3:21 PM, Oct 20, 2017

“A gente está trabalhando para pagar dívidas”

O PREFEITO Anabal falou ao ATUAL nesta terça-feira (10), numa conversa em frente ao prédio da prefeitura O PREFEITO Anabal falou ao ATUAL nesta terça-feira (10), numa conversa em frente ao prédio da prefeitura (CLEITON BEZERRA)
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ENTREVISTA: Anabal Barbosa de Souza, prefeito de Seropédica 

Prefeito de Seropédica conta o que vem fazendo para enfrentar um cenário econômico desfavorável e encarar a difícil situação financeira que encontrou no município

Obedecendo a um estilo despojado das formalidades inerentes ao cargo, o prefeito de Seropédica, Anabal Barbosa de Souza, recebeu a reportagem do ATUAL para uma rápida conversa no intervalo entre os atendimentos à população na Subprefeitura do Km 40, na tarde de ontem, quando falou dos meses iniciais de seu terceiro mandato como prefeito.

Em meio a uma crise que exige aperto de cintos nos orçamento, ele falou como tem conseguido atuar de modo a pagar dívidas e, ainda, acumular recursos da ordem de R$ 40 milhões, que, segundo ele, serão destinados a diversas obras. Na conversa, o prefeito falou ainda de investimentos que pretende fazer na saúde e deixou claro uma das coisas que mais o irritam como administrador público. “O meu maior problema é com o funcionário público que não gosta de trabalhar. Não me incomodo de me desentender com aqueles que não gostam de trabalhar. Quando não presta eu boto a espora e chamo no chicote!”, bradou ele.

ATUAL – Que balanço o senhor faz desses primeiros meses de administração?

ANABAL: Eu estava achando que, eleito, ia encontrar a prefeitura com as contas em dia, porque eu não passei dívidas para meu sucessor. Mas encontrei aqui uma dívida de R$ 22 milhões com a Light. Até andaram cortando a luz. Eu quero fazer um acordo com a Light. No caso da merenda, não prestaram contas. Estou comprando a merenda com recursos próprios.

É uma situação muito complicada, então?

Muito complicada. Os caminhões que existiam para trabalhar não têm mais. Hoje eu tenho que pagar para cuidar do lixo. Eu fazia desfile com mais de 150 carros. Encontrei um posto de saúde jogado no chão. O cemitério não tem como enterrar mais ninguém lá. O Detran ganhou na Justiça uma ação de R$ 6 milhões contra a prefeitura. Eles querem até fazer um acordo, mas tenho que pagar. Eu não, a prefeitura. Também renegociamos a dívida com o INSS e regularizamos o pagamento dos funcionários. Estamos trabalhando.

Com tantas dificuldades a enfrentar o senhor pode comemorar alguma vitória?

Olha, nós conseguimos pagar um pouco das dívidas da prefeitura, colocamos para funcionar 24 horas o posto de saúde do Km 40, que está funcionando dentro da subprefeitura. Não é a condição adequada, mas foi o que pudemos fazer para não deixar a população sem atendimento.

Qual será, então, a decisão a ser tomada em relação a essa unidade?

Ela precisa sair dali de dentro da subprefeitura. Então teremos que construir um novo posto de saúde, aliás, reconstruir.

Que outras prioridades existem na área da saúde?

Quero comprar mais uma ambulância, reabrir os postos de saúde nos bairros com médicos, pois não tinha médicos. A nossa UPA já está funcionando, mas apenas de 8h às 17h, porque não tem energia. A nossa maternidade já é a melhor da região, atendendo gente de vários outros municípios.

Essa dinâmica chega a outras áreas?

Estamos fazendo obras em vários logradouros. O nosso esporte estava parado, mas hoje já temos campeonatos sub-20, amador e máster. Espero que a Câmara Municipal de Seropédica aprove o Programa Especial de Regularização Tributária para fazermos o melhor para o povo com o dinheiro dele.

Nesse momento em que a cidade completa mais um ano o que é importante comemorar?

Eu não posso reclamar, pois fiz um caixa de mais de R$ 40 milhões, que vamos usar em reforma de escolas e postos de saúde, em obras de infraestrutura. Espero em 45 dias, no máximo, comprar mais ambulâncias, duas UTIs móveis para colocar no centro. Quero também alcançar cinco UTIs móveis e criar na cidade um núcleo com cinco equipamentos destinados a atendimentos de hemodiálise.  

Como a prefeitura conseguiu arrecadar esses recursos?

Reduzimos secretarias, acabamos com diversos aluguéis, demos fim à farra dos que ganhavam sem trabalhar. Não me incomodo de me desentender com aqueles que não gostam de trabalhar. Quando não presta, eu boto a espora e chamo no chicote!

E com os que gostam?

Aí eu dou gratificação por mérito, se está com alguém da família doente eu dispenso e digo: vai cuidar da tua família! O meu maior problema é com o funcionário público que não gosta de trabalhar.

E para terminar, o que o senhor tem a dizer ao povo seropedicense nesse momento de comemoração de mais um aniversário?

Que Deus nos abençoe, no ajude e nos dê coragem para administrar esse município, que era tão bom, mas no qual hoje a gente está trabalhando para pagar dívidas. Quero dizer que vou derramar até a última gota do meu sangue para ajudar ao povo de Seropédica.

 

RENATO REIS

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