Nov 24, 2017 Last Updated 2:00 AM, Nov 23, 2017

Governistas dizem que trabalham pela cidade também

Publicado em Poder
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Carlos Kifer contou que a comissão que preside entrega tudo no prazo regimental, mas quem decide é o governo

NA LABUTA Há uma divisão clara entre vereadores de Itaguaí na Câmara Municipal. Há os que apoiam o governo do prefeito Charlinho (PMDB) e os que não apoiam. Estes, preferem ser chamados de suprapartidários ao invés de oposicionistas. Pois garantem que trabalham pelo bem da cidade. Com a presença marcante de servidores e com a batalha destes com o governo, os parlamentares governistas trataram de deixar bem claro, durante as últimas sessões, que também fazem tudo pelo bem do município.

Na ocasião em que o vereador Willian Cezar (PSB) reclamava da ausência de matérias suas, na assembleia do dia 17, o colega Eliezer Lage Bento, o Zezé (PRTB) usou a tribuna para dizer que matérias desaparecidas não eram exclusividade de vereadores da oposição. Ele lembrou que uma matéria de sua autoria desapareceu na Casa e o presidente o ajudou a resolver o caso. O vereador se referia à Lei 3.510, que trata da obrigatoriedade das empresas instaladas em Itaguaí contratarem mão de obra local. Ele disse que a lei sumiu misteriosamente dentro da Casa e que só foi aprovada depois de dois meses.

AFIADOS

Zezé sugeriu que havia forças contrárias à aprovação de sua lei na Casa e que algumas pessoas disseram que o prefeito não ia sancionar a lei. “Essas pessoas deram com os burros n’água, ou com a boiada toda, porque o prefeito sancionou a lei. Pois a lei era para o município de Itaguaí. A lei não é para o vereador Zezé. A lei é da Casa e para o benefício de Itaguaí. As pessoas precisam entender que não são apenas os vereadores da oposição que trabalham para o município de Itaguaí. Os vereadores da situação também trabalham por Itaguaí, também fazem leis que ajudam o município. Porque às vezes fica parecendo que só a oposição quer o bem de Itaguaí e nós o mal. Não é o caso, nós queremos o bem de Itaguaí. Existe a questão do voto e cada um vota como quiser”, afirmou o parlamentar veterano. Ele ainda afirmou que o sumiço de matérias não é responsabilidade do presidente da Câmara, Dr. Rubem Ribeiro (PTN). “É só para dizer que vossa excelência não tem culpa. Obrigada!”, concluiu.

Ao falar em leis para o povo, o parlamentar para esquecer de projetos como o do vereador Ivanzinho (PSB), sobre a criação de um centro de reabilitação na cidade, que beneficiaria inúmeros munícipes, mas que foi rejeitado pela Casa. Neste caso, quem deu com os burros n’água parece ter sido os deficientes e pais de deficientes que vivem em Itaguaí.

A dupla está mesmo cada vez mais afiada. Pois outro que defendeu o trabalho em prol da cidade foi o também veterano Carlos Kifer (PP). “Senhor presidente, eu só subi à tribuna porque alguns vereadores falaram da CCJ como se só essa comissão trabalhasse. A Comissão de Finanças trabalha e trabalha muito. Emite os pareceres o mais rápido possível. O problema é que as reuniões da Comissão de Finanças é na segunda-feira, as da CCJ também. Então as matérias saem da CCJ e só chegam ao meu gabinete na quarta-feira. Eu não tenho como emitir parecer no mesmo dia. Mas é sempre dentro do prazo regimental.

Carlos Kifer garantiu que também trabalha pelo bem da cidade, mas quem decide é o governo (FOTO CLEITON BEZERRA)

DEPENDE

Kifer disse ainda que não se preocupa com a questão do parecer, porque quem decide é o governo. “O que o vereador Zezé falou é verdade mesmo: seguraram o projeto do vereador. Sabe por quê? Porque o projeto era interessante e não agradava a algumas pessoas. E graças a Deus, foi aprovado e sancionado”, disse Carlos Kifer, ainda fazendo questão de parabenizar o presidente da Casa pelo trabalho. “E parabéns à presidência de vossa excelência”.

Os parlamentares da base de apoio afirmam que trabalham pelo desenvolvimento do município. Entretanto, mais uma vez parecem ter esquecido disso, quando a matéria contrariou as vontades do chefe do Poder Executivo. Na sessão do dia 22, André Amorim (PR) chegou a questionar se o prefeito sabia das necessidades da cidade, quando parlamentares da base votaram para manter veto do governo à lei que tratava da renovação automática de alvarás de funcionamento.

“Acredito que o fator político deva prevalecer na hora de fazer política. Não sei se o prefeito Charlinho conhece a realidade desse município, porque ele também é empresário aqui [...]. Acho que ele não conhece a realidade empresarial desse município. Eu vislumbro aqui oito empresários e acho que isso nunca aconteceu nessa Casa. É nossa responsabilidade ou irresponsabilidade o que está acontecendo aqui hoje. Eu não estou citando corrupção. Só digo que neste momento o que interessa é trazer investimento para cá. Talvez, ao invés de mandar um veto, o prefeito pudesse ter mandando uma lei de incentivo fiscal”, lamentou André.

Os governistas não viram assim e argumentaram que o prefeito sabia o que estava fazendo ao vetar uma lei como esta. O parecer da Comissão de Constituição, Justiça e Redação foi contrário ao veto, mas os governistas, que já tinham aprovado a lei, foram favoráveis. Afirmam que tudo é pelo bem de Itaguaí e trabalham para isso.

Desta maneira, com todas as forças trabalhando por Itaguaí, não há como a cidade não sair do buraco.

André Amorim, durante sessão, questionou conhecimento de prefeito sobre realidade empresarial da cidade (FOTO CLEITON BEZERRA)

 

Dilceia Norberto

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